“Facilidades” do português e dos políticos - 20/1/2017

(Jornal SP Norte)

Como reagiria um estrangeiro se nos dirigíssemos a ele com estas expressões: Abandonando sua tribo no Mato Grosso, acostumado no mato, o baiá dirigiu-se à baia, próximo da baía, na Bahia para apreciar os animais. Ao lado, admirava homens repousando na maca após maçante trabalho, produzindo massa de pedreiro, enquanto um preparava a massa de tomate para as refeições da massa de colegas e lavando sua arma, a maça, saboreava a maçã. A alimentação era cara meu caro, mas famintos compravam cem, pagavam em reais cem, sem reclamar. Nesse intervalo ouvia se o supervisor orientar: “se apertares o cinto, sinto que terás mais segurança”. Admirando os adultos, crianças saboreavam mangas limpando suas bocas nas mangas das camisas. O pensamento volta à felicidade de animais caçar com cassados políticos que nos caça-níquéis perderam o dinheiro fácil. Para outros tomar uma xícara de chá com xarope, na chácara do Chico casado com a Xuxa, antes do Xuxú, irmão do Xaxá fazedor de xixi no pé de chuchu, como um chuchuzinho, mais chato do que um chato de pé chato, pé-de-moleque deglutindo, da mesma forma que a vizinha mexeriqueira em relação à mexerica, debaixo da mexeriqueira.

Estas dificuldades e confusões aplicam-se, também aos políticos. São certas as regras e as alternativas, mas o excesso de exceções transformam-se em regras e em muitos casos os políticos não sabem até o que a sábia sabiá sabia quanto ao tempo de fazer amor. Assim os temos incipientes, insipientes, insípidos. Em conseqüência já tivemos aqueles que, iluminados, descobriram que o rodízio de todos os números de placas de automóveis todos os dias acabará com os congestionamentos no trânsito; outros concluíram que deixando os enfermos morrerem acabará o problema de saúde; há aqueles que resolveram questões de tráfego alargando e aumentando as pistas, mas esqueceram o seu encontro em uma estreita, apenas transferindo para mais adiante a confusão; será justa a reforma da previdência para quem contribuir desde 14 anos, há 28 anos, que aposentadoria dentro de dois anos e entrará nas novas regras de 39 anos de serviço, 65 de idade, parcialmente, deverá completar com mais alguns anos? e para aquele que contribuiu com 40 salários ou mais e recebe R$1.271,00? Descobriram que um sistema para morrer antes de receber seus direitos (não benefícios) resolverão o déficit da previdência – que tal oferecer para o setor público (deles) receberem dez vezes mais, aposentando-se apenas com 140 anos de idade?

Outro absurdo foi a audiência pública sobre a segurança da mídia nos movimentos. Defensores dos direitos humanos, dos direitos individuais e coletivos criticaram a presença da Polícia Militar, apoiaram o fechamento de estradas e ruas. Ora, e os direitos da maioria que precisa da segurança, daqueles que serão levados a hospitais com risco de vida, dos que precisam trabalhar, viajar, locomover-se de metrô e ônibus, enfim do seu direito de ir e vir?

Lembremos do Conselho pretendido pelo prefeito eleito João Doria, composto pelos ex-prefeitos: Haddad, Kassab, Marta e outros. Ora, ele foi eleito, no primeiro turno, para evitar surpresa de manutenção dos estragos e para mudar. Vai manter o que o povo rejeitou? Será, ainda, ingênuo acreditando que vai anular oposições e fazê-los trabalhar para suas pretensões futuras se são concorrentes? O prefeito Haddad, deixou é problemas com a cidade esburacada, abandonada e vamos ver se os recursos serão suficientes para as despesas já realizadas ou será mais um desastre.

Perdão ou acordo com os estados endividados é outra surpresa. Os entes federativos são causadores do “rombo” por irresponsabilidade. Gastaram mal e sabe-se como e onde, agora querem jogar seus problemas aos que cumpriram suas obrigações. Não pretendem sequer uma contrapartida e impõem a continuação da situação que os levaram ao desastre.

A realidade é essa e voltando ao início do artigo, se perguntarmos: Por quê? Porque eles têm interesse, mas dirão que ninguém sabe o porquê, porque a ignorância do ignóbil diz mais do que a sabedoria. E, ao perguntarmos ao estrangeiro o que é mais incompreensível, o idioma ou a lógica dos políticos, ele também não saberá responder.