A República de Weimar, e a República que “vai mar” - 3/7/2017

A Primeira Guerra Mundial se estendeu de agosto de 1914 a novembro de 1918, tendo sido um conflito particularmente cruento. Por assinalar o fim de um ciclo da Civilização Ocidental, eu a denomino “A Guerra do Peloponeso da Europa”.

Com a derrota dos “Impérios Centrais”, o Kaiser Guilherme II, da Alemanha, abdicou e veio a se refugiar na Holanda, onde faleceu em 1941. E teve início, na Alemanha, a “República de Weimar”, assim chamada em função da cidade do mesmo nome.

A Constituição da República de Weimar, de 1919, tinha preocupações marcantes com o fator social, e teria eventualmente funcionado, se outras fossem as condições --- econômicas, políticas e sociais --- do país derrotado na guerra. Sucede que a Alemanha, vergada sob o peso das obrigações que lhe haviam sido impostas pelo Tratado de Versalhes, estava em péssima situação: --- A inflação tornara-se incontrolável, a miséria do povo e o desemprego eram um flagelo constante, e as greves e rebeliões --- como de hábito, instigadas pelo Comunismo internacional e ateu --- infernizavam a vida da população germânica, tradicionalmente ordeira, disciplinada, cristã e patriota.

Foi no clima de desordem da República de Weimar que conseguiu se impor o “Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães”, chefiado por Adolf Hitler, que combatera, como soldado e como cabo, no conflito de 19141918.Este partido, por meio do voto popular, chegou ao poder em Janeiro de 1933, sendo Adolf Hitler nomeado Chanceler pelo Presidente da República, o velho Marechal Hindemburg. A inflação foi debelada, o desemprego cessou, os comunistas foram silenciados, e a Alemanha retomou o seu “status” de grande potência, anterior à Primeira Guerra. O que se seguiu, a deplorável II Grande Guerra, de 1939 a 1945, é um tema que foge aos presentes comentários.

O que aqui importa é que, se a Alemanha chegou à República de Weimar por ter sido derrotada por inimigos externos, tais como a França, a Grã-Bretanha e a Rússia, o Brasil chegou à atual República, que “Vai Mar”, graças aos seus inimigos internos: políticos corruptos, empresários corruptores, sindicalistas desonestos, “intelectuais” (Mon Dieu!) de esquerda, “et magna infectumque caterva.”

Faço uso da expressão “vai mar”, por fidelidade ao sotaque da minha querida São João da Boa Vista. E estou em boa companhia: Dizem os antigos alunos do Professor Waldemar Martins Ferreira, um purista do idioma, que ele -- um filho de Bragança Paulista --- pronunciava “Direito Comerciar”...

As coisas “vão mar”, mesmo, para o Brasil...treze anos de governo (?) de um metalúrgico bêbado, mentiroso e mau caráter, e de uma terrorista disléxica, levaram este país, sob todos os aspectos, para o fundo do poço.

Nesta hora amarga para a nacionalidade, os brasileiros precisamos ter coragem e esperança, moralizando a vida pública nacional. E isto passa por uma revisão da atual --- e insatisfatória --- representação política. Em “A Democracia E O Brasil – Uma Doutrina Para A Revolução De Março”, meu eminente e saudoso mestre Goffredo da Silva Telles Junior, um antigo membro da AIB – AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA (com Miguel Reale, Alfredo Buzaid e muitos outros...) demonstra a debilidade intrínseca do sufrágio universal e direto, que não vincula os eleitos aos eleitores, e preconiza a chamada “representação política orgânica”, por categorias profissionais.

É lamentável que o estamento militar, que empolgava o Poder Político em 1964, não tivesse tomado conhecimento do livro de Goffredo. Se o tivesse feito, possivelmente, o Brasil não seria, hoje, “a República que Vai Mar”! ...