Varnhagen (1816-1878): O Pai da História do Brasil

Ruy Altenfelder 6 20b50A Fundação Alexandre de Gusmão, prestou merecido tributo ao bicentenário do nascimento do pai da história do Brasil, Francisco Adolfo de Varnhagen, patrono da cadeira nº 1 da Academia Paulista de História, que tenho a honra de ocupar.

O seminário em sua homenagem contou com a participação de estudiosos da vida e obra do Visconde de Porto Seguro (1816-1878). Os trabalhos foram reunidos em livro da série “História Diplomática”.

Varnhagen, patrono da historiografia brasileira teve o mérito, como diplomata e homem público, de pensar o Brasil de uma perspectiva geopolítica e geoestratégica. Para ele, a ação diplomática deveria orientar-se nessa direção.

Sua visão estratégica ajusta dois relevantes campos do conhecimento, a história e a geografia. A combinação de uma visão estratégica interna, envolvendo o binômio integridade-integração do país, e externa, faz dele um dos formuladores do pensamento diplomático e estratégico.

Ao escrever a história do Brasil, Varnhagen pretendeu moldar o futuro das nação, considerado pelos estudiosos como a essência do planejamento estratégico, o exame das tendências do passado e do presente, para poder projetar e influenciar rota preferencial entre diferentes opções. Para o diplomata Paulo Roberto de Almeida, Varnhagen pode ser visto como ideólogo liberal dotado de um “conservadorismo reformador”, que pensa nos problemas brasileiros e propõe respostas aos desafios atuais e futuros. Ele não apenas identifica os problemas a serem superados, como se dispõe a propor um conjunto de reformas que ajudariam a administração imperial a civilizar o Brasil.

Varnhagen moldou o pensamento histórico, antropológico e político das elites dirigentes do Brasil, desde o segundo reinado até a República de 1946. Como ressaltou Paulo Roberto Almeida, “fez-se presente em todos os cursos de História dos liceus e das faculdades de Direito, e nas demais instâncias da educação nacional durante mais de três gerações”.

Muitos dos atuais problemas brasileiros afiguram-se similares aos de 170 anos atrás; as soluções também podem ser funcionalmente equivalentes.

Tive o privilégio de receber do saudoso amigo Aluizio Rebello de Araujo os dois volumes da História Geral do Brasil até a Independência, publicado entre 1854 e 1857, obra que deve ser conhecida e lida por todos os brasileiros.

 

Ruy Martins Altenfelder Silva: Titular da Cadeira no. 1 da Academia Paulista de História e Presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas