Bolsonaro na O.N.U.

          acacio vaz de lima filho 60O discurso do Presidente Jair Messias Bolsonaro, pronunciado na assembleia da O.N.U. no dia 24 de Setembro,  provocou impactos, comentários e --- porque não dizê-lo? --- uma “santa ira” nos fiéis da Religião Marxista e em seus aliados social-democratas, vale dizer,  nos inocentes úteis e inúteis de costume.

         Como tudo o que ocorre neste mundo, a oração do Excelentíssimo Senhor Presidente tem que ser ubicada com segurança, do ponto de vista histórico e cultural. Toda e qualquer interpretação da fala presidencial calcada em preconceitos e em pressupostos abstratos será a-histórica, e, “ipso facto”, falsa.

        A O.N.U. – “Organização Das Nações Unidas”  foi criada no “posterius” da II Guerra Mundial, aparentemente pelas potências vencedoras do “Eixo”, mas em verdade, pelas forças internacionais e internacionalistas que, manipulando tais potências, levaram à derrota os regimes nacionalistas da Alemanha, da Itália e do Japão. As aludidas forças foram, sinteticamente, o Capitalismo e o Comunismo, idênticos na essência, como julgo ter demonstrado no artigo “Maio de 1945. A Vitória: De Quem?”

           É fundamental realçar que a “O.N.U.” sucedeu à “Liga Das Nações”, criada pelas mesmas forças internacionais após a I Guerra Mundial, que durara de Agosto de 1914 a Novembro de 1918. Aquele imenso conflito terminara com a derrocada de três grandes monarquias: O Império Austro-Húngaro da Dinastia dos Habsburgo, um baluarte da Religião Católica, Apostólica e Romana, o Império Russo, da Dinastia dos Romanov, por definição o paladino da Igreja Ortodoxa Russa, e o Império Otomano, cujo Sultão era o “guia dos crentes” (muçulmanos). Por outras palavras, a “Vitória” dos “Aliados” foi, em verdade, o triunfo do materialismo comuno-capitalista... para além disto é preciso ter em conta que a República, por sua estrutura, é presa muito mais fácil de aventureiros e saqueadores do que a Monarquia, em se tratando dos assaltos às riquezas nacionais.

         A “Organização Das Nações Unidas” congrega muitos Estados que, teoricamente, são soberanos. E a Soberania, na definição do meu velho e saudoso mestre José Carlos de Ataliba Nogueira, “é o poder incontrastável de querer coercitivamente e de fixar as competências.” Na prática porém, o que a O.N.U. deseja e estimula é a existência de Estados axiologicamente neutros. E, para conseguir o Estado axiologicamente neutro, a receita infalível (a História comprova a assertiva) reside em debilitar, quando não em emascular a Nação em suas tradições, em sua memória, em sua cultura, em seus sentimentos religiosos, e assim por diante. Detalhe importante: O Estado, como hoje existe, é uma realidade historicamente recente, remontando ao Tratado de Westfália de 1648. Mas a Nação, esta é eterna, esta permanece. A Nação é infinitamente mais importante do que o Estado!

         O discurso de Jair Messias Bolsonaro na O.N.U. defendeu os valores atemporais da Nação Brasileira, e os interesses do Brasil no concerto dos demais Estados. Fê-lo, o Presidente da República, com absoluta coerência e honestidade intelectual. E os protestos da mídia (não da “opinião pública”, mas da “opinião publicada”, como ensina Cláudio De Cicco) constituem, ante a fala presidencial, como que um “Evangelho segundo Satanás.” Não se poderia esperar outra cousa de uma récua de “jornalistas” e “políticos” comprometidos com o Comunismo Internacional!...

          O Presidente reafirmou, alto e bom som, que o Brasil defende os valores da Civilização Ocidental e Cristã, e enfatizou que, sendo um Estado Soberano, não se curvará às ingerências internacionais naquilo que é da sua competência exclusiva. E deixou claro que a Nação Brasileira longe está de ser  axiologicamente castrada, como seria do agrado das forças internacionais. Assim, todas as críticas ao discurso de Bolsonaro são um exercício --- “en passant” ridículo e infantil --- daquilo que me permito chamar de “Retórica Bolchevista”, consistente, não em argumentar com o oponente, mas em desqualifica-lo.

        Por derradeiro, perguntar não ofende: --- Onde mesmo estava a O.N.U. quando, em 1956, no levante húngaro contra a opressão soviética, os patriotas magiares foram brutalmente esmagados pelas forças militares da defunta (e foi tarde!) União Soviética?... onde estava a O.N.U. quando, na “Primavera de Praga”, os checos ousaram discordar dos tiranos comunistas?...

*Acacio Vaz de Lima Filho, advogado  e professor universitário, Livre-Docente em Direito Civil, área de História do Direito, pela Faculdade de Direito de São Paulo (Largo de São Francisco), é sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Acadêmico Perpétuo da Academia Paulista de Letras Jurídicas, associado efetivo e Conselheiro do Instituto dos Advogados de São Paulo, e membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo