Meu saudoso amigo Marcus Cláudio Acquaviva, em cuja companhia tive a honra de lecionar na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, costumava dizer que, ao passo que o simples político enxerga somente a próxima eleição, o estadista enxerga o futuro, prevê e provê para as gerações que virão depois dele. Tinha razão o ilustre professor de Teoria Geral do Estado, um fino humanista que, além de conhecer profundamente História, dedicava-se também à Arqueologia...

Sempre me interessei pela História dos Estados Unidos da América, e tenho observado com atenção a maneira de se conduzir de Donald Trump à frente da Presidência da República daquela superpotência. E a minha cuidadosa observação levou-me a afirmar, como o tenho feito reiteradamente, que os historiadores do futuro haverão de colocar o atual Presidente norte-americano no mesmo patamar em que se ubica a figura, gigantesca “in se ipsa”, de Abraham Lincoln. Aliás, e por pura coincidência, ora leio a biografia do velho “Abe”, escrita por Benjamin Thomas, e esta leitura me confirma em minha antiga opinião, de que foi, o Presidente assassinado em 1865, um dos mais notáveis estadistas não só da História Americana, mas também da História Universal.

Contra a minha equiparação de Donald Trump a Abraham Lincoln se insurge, e com veemência peninsular, o meu amigo Luiz Antonio Sampaio Gouvêa, o “Pitô”, um homem universalmente estimado entre os antigos alunos do Largo de São Francisco. Este afirma que Donald Trump é o “grosseirão do Bronx”, e um novo-rico sem maneiras... para mim, isto não é um argumento sólido: Também Lincoln foi chamado de “caipira do Illinois.” E, em segundo lugar, quem define se um homem é ou não um estadista não é a Madame Poças Leitão, nem o Marcelino de Carvalho, nem o Tavares de Miranda, nem o Ibrahim Sued: Quem define se um individuo ostenta ou não tal atributo, é o Eterno Tribunal da História... e, “ex abundantia”, lembro que M. Pórcio Catão, um dos mais notáveis estadistas da República Romana, primava pelas maneiras sóbrias e simples, desprezando os refinamentos importados da Grécia...

Os Estados Unidos da América eram uma Confederação que se foi transformando em uma Federação. Nesta opinião coincidem dois juristas notáveis, José Pedro Galvão de Sousa e Miguel Reale. E assim é legitimo dizer que, do ponto de vista jurídico-formal, os Estados do Sul tinham o direito de se separar da União. E na minha opinião, a grandeza histórica de Abraham Lincoln, e o dado que fez com que ele fosse um genuíno estadista, reside justamente em haver ele desprezado a legalidade formal, para se ater à postura de rejeitar a secessão do Sul, e preservar a União. Em seus discursos, o velho “Abe” --- que fôra um bem sucedido advogado do Tribunal do Júri --- usava a imagem da casa que não deve ser dividida...

Abraham Lincoln lutou contra a separação, da União Federal, dos Estados Confederados, que eram o Sul. E o seu inestimável legado foi a preservação da unidade norte-americana. É aqui que fico autorizado, pelas lições da História, a fazer um paralelo entre Lincoln e Trump.

Também Donald Trump luta contra uma tentativa de secessão, só que com uma secessão mais terrível, mais odiosa e mais perversa do que aquela com que se defrontou o seu ilustre predecessor Abraham Lincoln. Com efeito, luta ele contra os esforços daqueles que buscam separar a América das suas raízes, das suas tradições, dos seus valores e da sua própria História!... em resumo, trata-se da secessão promovida pelas forças que visam anular a identidade americana.

Trump tem sido bem sucedido em sua luta titânica. Ele fala com a Esquerda a única linguagem que a Esquerda entende e acata, e esta linguagem é a linguagem da força... ele está conseguindo destruir o malsinado “Foro de São Paulo”, o cérebro malévolo do narco-socialismo. Tem combatido com sucesso os regimes políticos tirânicos, que atropelam a liberdade individual e impõem a censura aos meios de comunicação. Tem atuado na pauta dos costumes. Se Lincoln impediu uma secessão política, Donald Trump impede que, nos Estados Unidos da América, haja uma “secessão axiológica.” Para encerrar, ele está demonstrando que a América é o legado dos “Pilgrim Fathers”, e não um campo de experiências de Marcuse, Sartre, Adorno e outros degenerados, inimigos da Civilização Ocidental e Cristã. E digo a Trump: --- “Go, man, go!...”

*Acacio Vaz de Lima Filho é Livre-Docente em Direito Civil, área de História do Direito, pela Faculdade do Largo de São Francisco, e Acadêmico Perpetuo da Academia Paulista de Letras Juridicas

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