O Presidente e o seu entorno

     Sustento --- e sempre sustentei --- que o Presidencialismo de feitio norte-americano fracassou, de maneira rotunda, em toda a América Latina, aí incluído o Brasil, um país lusófono. Outrossim sempre afirmei, e continuo a afirmar, que a nossa tradição histórica e a nossa vocação política são monárquicas por excelência.

    acacio vaz de lima filho 60 No sentido do afirmado, a República Presidencialista, imposta pelo golpe militar de 15 de Novembro de 1889, foi um gravíssimo erro histórico, pelo qual ainda pagam as atuais gerações de brasileiros... a República surgiu do fanatismo e das maquinações dos círculos positivistas, e dos conciliábulos --- obviamente secretos! --- das “Lojas” maçônicas... nesta ordem de ideias, no genocídio de Canudos, Antonio Conselheiro e os seus seguidores (e não “jagunços” como maldosamente os chamava a propaganda), católicos e monarquistas, personificavam o genuíno Brasil, ao passo que o Exército corporificava o Positivismo ateu e materialista de Augusto Comte, e a Maçonaria Internacional.

      Se a “República Velha”, de 1889 a 1930, teve mais decoro, decência e civismo do que as que a sucederam, deveu-se isto, não à excelência do sistema republicano, mas ao fato de os seus homens públicos terem sido, em grande parte, formados na austera Escola dos Estadistas do Império. É significativo que em Guaratinguetá, terra de um desses homens, exista a “Praça Conselheiro Rodrigues Alves”, e não a “Praça Presidente Rodrigues Alves”!...

      Há um novo Presidente da República em Brasília. A sua vitória foi um enérgico protesto de todos os brasileiros de bem contra a roubalheira institucionalizada das “esquerdas” chefiadas pelo presidiário de Curitiba. O novo Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, por definição, é melhor do que o presidiário fanfarrão e a terrorista disléxica que o antecederam.

     É fundamental, no entanto, que o atual Presidente da República se cerque de algumas cautelas, para bem cumprir o seu grave “munus.” O primeiro cuidado é aquele dirigido à sua própria família. Se conhecesse a História recente do Brasil, Bolsonaro saberia que Benjamin Vargas foi mais nefasto para o seu irmão, o Presidente Getúlio Vargas, do que o próprio (grande) orador e (destemido) jornalista Carlos Lacerda!... se conhecesse História, o Presidente saberia quão prejudiciais foram, para o grande Napoleão Bonaparte, as ambições dos seus irmãos e irmãs!... o ideal seria que os três filhos do Presidente Bolsonaro renunciassem aos seus mandatos eletivos, enquanto dura o do pai!...

     Jair Messias Bolsonaro é o Presidente da República. E tem que se aconselhar com homens sérios em termos de caráter e de patriotismo, idôneos ademais do ponto de vista da formação acadêmica. O pseudo-intelectual e PHd em palavrões Olavo de Carvalho é um péssimo conselheiro para o Presidente, a todos os títulos. Numa de suas obras de ficção histórica, “Sir” Arthur Conan Doyle coloca na boca de um abade cisterciense as seguintes palavras: --- “Graça e sabedoria sempre andaram juntas, e quando uma se perde, é inútil procurar pela outra.” Isto vale para o vulgaríssimo “mentor intelectual” (Mon Dieu!) de Sua Excelência, o Presidente da República. Que Jair Bolsonaro se apoie em alguns dos seus ministros, cultos e dotados de civismo, e deixe Olavo de Carvalho, expatriado voluntariamente do Brasil, cuidar do que lhe apetecer. Sugiro ao “guru de Richmond” a composição de duas obras: “Teoria e Prática do Linguajar Chulo” e “Digesto de Sacanagem.”

     Por último, Jair Bolsonaro é o Presidente de todos os brasileiros, e inclusive dos nossos patrícios ateus. É imprudente --- para dizer o mínimo --- permitir o Chefe de Estado que as suas próprias convicções e preferências religiosas o orientem num ou noutro sentido, no exercício da Presidência. Há aqui um problema delicado: --- Algumas denominações do Protestantismo, não entendi até hoje com que fundamento, se auto-proclamam “evangélicas”, e exercem uma forte influência no Governo Federal. Ora, EVANGÉLICOS somos todos nós, os Cristãos, que seguimos o “Evangelho.” A palavra --- Grega --- é EVANGUÉLION (uso aqui a grafia latina), e quer dizer “boa nova.” Destarte, tanto é “evangélico” um católico romano, quanto um membro da Igreja Ortodoxa Russa, quanto um batista!... ou será que os auto-batizados “evangélicos” se pretendem mais cristãos do que todos os demais cristãos?! E lançariam mão, para isto, de um “pleonasmo enfático”, como o diria o saudoso Professor Antonio Ferreira Cesarino Junior?... Assinalo a respeito, em primeiro lugar, que a Soberba é um dos sete pecados capitais. Nesta exclusão de todos os demais cristãos há um “quid” de fundamentalismo. E o fundamentalismo é o irmão gêmeo da intolerância religiosa. Cuidado, Presidente Bolsonaro! É fundamental para o Brasil e os brasileiros que o seu governo seja coroado de êxito.

 

*Acacio Vaz de Lima é advogado e professor universitário (Unidrummond – São Paulo), sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, acadêmico perpétuo da Academia Paulista de Letras Jurídicas, associado efetivo e Conselheiro do Instituto dos Advogados de São Paulo, e autor de livros e artigos que versam a História do Direito. Dedica este artigo a Suas Altezas Imperiais e Reais, D. Luiz e D. Bertrand de Orleans e Bragança, membros da Família Imperial Brasileira