Uma religião e duas doenças

                   O Marxismo, doutrina criada por Kissel Mordecai, posteriormente chamado de  “Karl Marx”, longe de ser apenas um sistema filosófico, uma teoria política ou uma proposta de ordenação econômica da sociedade, é uma religião e, de modo mais específico, uma contrafação do Cristianismo. Isto foi demonstrado  por  Heraldo Barbuy, em “Marxismo E Religião.” Como tive a honra de ser aluno de  Barbuy no “Convívio – Sociedade Brasileira de Cultura”, sinto-me  à vontade para abordar este assunto.

                   Karl Marx era judeu. Sucede que embora tivesse o seu pai se convertido ao Luteranismo, a família era rabínica, tendo produzido muitos sacerdotes e Doutores da Lei. Creio que esses antecedentes familiares foram fundamentais na trajetória intelectual do jovem Marx,  descrita por Edmundo Wilson em “Rumo À Estação Finlândia.” Quero dizer que a vocação profética ínsita no Judaismo, irá aparecer no Marxismo, doutrina que pretendeu e pretende nada mais nada menos do que a “salvação” e a “redenção” da Humanidade... seria uma simples “coincidência capilar” o fato de Marx usar umas barbas talmúdicas, que evocam os profetas do Velho Testamento?...

                   Por ser uma religião --- paradoxalmente uma “religião” ateia e materialista --- o Marxismo é imune aos efeitos de quaisquer críticas racionais e de quaisquer desmentidos feitos pelaacacio vaz de lima filho 60 realidade. Com a palavra  Heraldo Barbuy, para quem “as críticas racionais e a contestação do marxismo pelos fatos, têm sido completamente inúteis em face da eficiência que o sistema tira do seu caráter religioso.”

                  É um fato amplamente admitido pela Psiquiatria que o sentimento religioso pode conduzir --- e não raro conduz --- as pessoas a estados mórbidos. E esta regra se aplica, “mutatis mutandis” ao Marxismo, uma religião ateia e materialista.

                   Eu não tenho formação médica. Minha formação é filosófica, jurídica e histórica. Mas  este dado não impede que opine relativamente à matéria ora abordada. Lembro que a Medicina deve muito a dois homens que, antes de tudo, foram filósofos, Platão e Aristóteles. E não é demais dizer que a “Anamnése”, o relato dos sintomas feito pelo paciente, é um contributo platônico à Medicina...

                   Penso que existem pelo menos duas patologias psíquicas ligadas ao Marxismo. À primeira eu chamo “Complexo da plus-valia”, e à segunda dou o nome de “Síndrome de La Fayette.” O “Complexo da plus-valia” ataca sobretudo os burgueses nascidos em famílias que foram ou ainda são extremamente ricas. O paciente experimenta um grande mal-estar psicológico pelo fato de os seus maiores  serem detentores da abundância de recursos. Ele se sente culpado por possuir, quando outros não possuem... em tais circunstâncias, não é raro que o enfermo se aliste em partidos políticos “de esquerda.”

                   Passo à “Síndrome de La Fayette.” Dei este nome à doença, ligando-a ao Marquês de La Fayette, nobre  que não só apoiou a regicida Revolução Burguesa de 1789 (que os desinformados chamam de “Revolução Francesa”...), como serviu de carcereiro para o Rei Luiz XVI e os seus familiares. O portador da “Síndrome de La Fayette” é invariavelmente um aristocrata, um homem bem nascido, fino, oriundo de ótima cepa, e educado de acordo com a tábua axiológica da Aristocracia. Sucede que, tendo contato com a doutrina de Marx, o paciente sente um impulso incoercível para se voltar contra os valores de acordo com os quais foi criado. E com a fúria cega dos iconoclastas de que fala o poeta, investe contra a Aristocracia e os aristocratas.

                   Para mim, o caso paradigmático da “Síndrome de La Fayette”  é o apresentado por um senhor, rebento da Aristocracia do Café, que perdeu a tal ponto o senso da realidade  que  se considera “católico”, sem embargo de o seu “Catolicismo” se limitar às baboseiras dos comunistas infiltrados na Ordem Dominicana.

                   Há um consolo para a sanidade: --- Tanto os portadores do “Complexo da Plus-Valia” quanto os da “Síndrome de La Fayette”, costumam ser absolutamente inofensivos. Ou, para lembrar o sempre genial Cassio Scatena, eles são “inocentes inúteis”, com tudo o que daí decorre. À lição de “Blanco” acrescento que, em Política, o ridículo também mata!...

*Acacio Vaz de Lima Filho, Advogado e Professor Universitário, é Livre-Docente em Direito Civil, área de História do Direito, pela Faculdade de Direito de São Paulo (Largo de São Francisco) e Acadêmico Perpétuo da Academia Paulista de Letras Jurídicas