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A instituição universitária surgiu, no Ocidente Europeu, naquela tão desconhecida quanto caluniada Idade Média. E ela foi, desde Bolonha, uma corporação de estudantes e mestres que objetivavam a aquisição do saber. Esta índole corporativa da Universidade em grande parte explica duas das suas características no Medievo: --- A sua autonomia, revelada no auto-governo, e a fidelidade à busca do saber pelo saber.

Desde o início da sua multissecular existência, a missão precípua da Universidade foi a de preparar elites pensantes. A formação de tais elites foi, é e será sempre, por excelência, o contributo da Universidade para a Sociedade, como um todo.

A palavra “Universidade” remete a “Universal.” O “Universal”, por seu turno, implica na unidade na diversidade. E o corolário disto é que a Universidade sempre foi um “locus” caracterizado pelo pluralismo das ideias, um ambiente em que conviviam tendências até mesmo antagônicas de pensamento. Por outras palavras, falar em “Universidade” é falar de tolerância...

Com o surgimento do Marxismo no século XIX, este quadro sofreu e sofre uma radical alteração, pois que, como o demonstrou entre nós o saudoso Professor Heraldo Barbuy, o Marxismo, longe de ser uma doutrina política e econômica, é uma religião, com tudo o que daí decorre, e mais especificamente, é ele uma contrafação do Cristianismo.

Religião, pretende o Marxismo ser o detentor único da verdade. E de conseguinte, integra a sua dinâmica interna a intolerância relativamente a tudo o que contrarie os seus dogmas.

Em termos universitários, o ingresso dos seguidores da Religião Marxista na Academia, implicou na transformação desta última em um centro de culto do pensamento único, vale dizer, do pensamento marxista. Ora, uma Universidade de pensamento único é a anti-Universidade, algo que destoa --- de maneira brutal --- da própria essência da instituição universitária... e aqui utilizo a palavra “essência” no preciso sentido filosófico que a ela dava o meu saudoso mestre Goffredo da Silva Telles Junior, nas Arcadas de São Francisco: --- “Essência é aquilo pelo que uma coisa é o que é, e pelo que se distingue das demais coisas.”

Aqui entra o meu comentário específico sobre a Universidade Pública, tal como ela ora se apresenta no Brasil: --- Eu não vejo qualquer sentido no fato de a Sociedade, com os pesados impostos que paga, custear a manutenção dos centros de doutrinação ideológica em que se metamorfosearam os cursos superiores mantidos pelo Estado, nos quais é planejada a escravização dessa mesma Sociedade!... aqui peço vênia para citar o saudoso penalista que foi o Professor José Roberto Barauna: Isto equivale a obrigar Tiradentes a carregar a corda com que em breve vai ser enforcado...

*Acacio Vaz de Lima Filho,

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